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Provas de Concursos e do Vestibular

 
(22/Mai) Prova e Gabarito - Professor de Filosofia - Secretaria de Educação - Governo do Estado de São Paulo - Fundação Carlos Chagas - 2010
 
FORMAÇÃO ESPECÍFICA

31. Considerando os capítulos I e II do segundo livro Do Contrato Social, de Jean-Jacques Rousseau, é possível dizer que a soberania deve ser
(A) alienável e divisível.
(B) submetida ao poder judiciário.
(C) submetida ao poder executivo.
(D) inalienável e indivisível.
(E) submetida à vontade única do rei.

32. De um modo geral, é possível dizer que o contrato social de que fala Jean-Jacques Rousseau em sua obra homônima NÃO se refere
(A) a uma renúncia à liberdade natural do indivíduo e à fundação social da soberania e da autoridade política.
(B) a uma renúncia à posse natural de bens e de armas e a sua transferência ao soberano.
(C) à passagem da condição natural do homem para a instituição do estado civil.
(D) ao poder para criar e aplicar as leis, determinando com isso tudo o que é legal e ilegal, justo e injusto etc.
(E) à constituição do Estado como corpo político, formado por uma multidão ou comunidade de pessoas.

33. Aqui, o que se considera é que, a despeito de sua importância, a História da filosofia não deve constituir a principal orientação para o ensino da disciplina na escola pública, pois é com o olhar voltado para o mundo que se aprende a pensar filosoficamente - muitas vezes, recolhendo material nas ruas que o aluno percorre para chegar à escola. Um jornalista, por exemplo, realiza entrevistas com crianças que vivem no tráfico ou na prostituição e encerra aí o seu trabalho; mas certamente a compreensão da questão poderá ser mais bem sintetizada, a partir de seus fundamentos, pelo professor de Filosofia. Caberá a ele valer-se de sua formação para orientar debates em sala de aula, usando aí os elementos que conformam sua erudição.
(Proposta Curricular do Estado de São Paulo. In: ww.rededosaber.sp.gov.br/portais/Portals/18/arquivos/ Grade_FILO_Volume_1_cor.pdf)
Baseado nesta passagem da Proposta Curricular do Estado de São Paulo para o Ensino da Filosofia para o Ensino Médio é possível afirmar que o ensino da Filosofia na escola pública deve
(A) ignorar completamente a História da Filosofia, na medida em que ela não possui nenhuma ligação com o mundo do aluno.
(B) partir apenas dos conhecimentos pessoais do professor, sem a necessidade de se basear nos livros de Filosofia.
(C) manter os olhos voltados não apenas para a História da Filosofia, mas tentar coordená-la com a vida cotidiana dos alunos.
(D) ser um trabalho jornalístico, no qual o professor deve realizar entrevistas com os alunos que vivem no tráfico ou na prostituição.
(E) deixar claro ao aluno a erudição do professor.

34. Chamamos ao prazer princípio e fim da vida feliz. Com efeito, sabemos que é o primeiro bem, o bem inato, e que dele derivamos toda a escolha ou recusa e chegamos a ele valorizando todo bem com critério do efeito que nos produz.
Numa tentativa de localizar esse pensamento dentro da história da filosofia, seria plausível atribuí-lo a
(A) Cícero.
(B) Epicuro.
(C) Sêneca.
(D) Platão.
(E) Aristóteles.

35. ...a utilização de valorosos materiais didáticos pode ligar um conhecimento filosófico abstrato à realidade, inclusive ao cotidiano do estudante, mas a simples alusão a questões éticas não é ética, nem filosofia política a mera menção a questões políticas, não sendo o desejo de formar cidadãos o suficiente para uma leitura filosófica, uma vez que tampouco é prerrogativa exclusiva da Filosofia um pensamento crítico ou a preocupação com os destinos da humanidade. Com isso, a boa formação em Filosofia é, sim, condição necessária, mesmo quando não suficiente, para uma boa didática filosófica.
(Orientações Curriculares para o Ensino Médio. In: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/book_volume_ 03_internet.pdf)
Levando em consideração o texto acima, é correto afirmar que o ensino da Filosofia deve
(A) se constituir não apenas da menção a temas atuais, políticos e éticos, mas exigir ao mesmo tempo uma ligação com conceitos filosóficos fixados e desenvolvidos ao longo da História da Filosofia.
(B) se dar apenas por meio da utilização de valorosos materiais didáticos que permitam ligar um conhecimento filosófico abstrato à realidade.
(C) se basear nas ideias filosóficas de que a ética não é a ética e de que as questões políticas não são questões políticas.
(D) se concentrar na ideia de que uma leitura filosófica não é capaz de formar cidadãos.
(E) lidar com o fato de que a Filosofia é incapaz de formular um pensamento crítico, bem como de se concentrar em assuntos referentes aos destinos da humanidade.

36. Levando-se em conta a relação que as Orientações Curriculares para o Ensino Médio estabelecem entre Filosofia e Cidadania, é correto dizer que a Filosofia
(A) tem um papel particular na formação da cidadania e deve ser vista como o seu principal e único instrumento.
(B) deve assumir a responsabilidade de incutir no jovem valores tais como tolerância e solidariedade.
(C) deve aprimorar por si só o educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico.
(D) constitui o único modo possível de formar cidadãos, na medida em que às outras disciplinas cabe a formação técnica.
(E) contribui na formação do cidadão, na medida em que acrescenta às suas outras capacidades a capacidade de análise, de reconstrução racional e de crítica.

Atenção: O texto a seguir refere-se às questões de números 37 e 38.
Se observarmos as quatro décadas da antiga Escola de Frankfurt em seu conjunto, fica evidente o seguinte: não havia paradigma unitário, logo nenhuma mudança de paradigma ao qual se submeteria tudo aquilo que estava implicado quando se fala da Escola de Frankfurt. As duas figuras principais, ...... e ......, trabalham a partir de duas posições explicitamente diferentes sobre temas comuns. Um, que entrou em cena como o inspirador de uma teoria interdisciplinar progressista da sociedade, contentou-se em ser o acusador de um mundo burocrático, no qual a ilha do capitalismo liberal, emergindo da história de uma civilização fracassada, ameaça desaparecer de vista. Para o outro, que entrou em cena como crítico do pensamento da imanência e como advogado de uma música liberada, a filosofia da história de uma civilização fracassada tornava-se a base de uma teoria multiforme do não-idêntico, em outras palavras, das formas nas quais, de uma maneira paradoxal, o não-idêntico encontrava seu lugar.
(WIGGERSHAUS, R. A Escola de Frankfurt. História, desenvolvimento teórico, significação política. São ristóvão: Difel, 2002, p.35)

37. Na passagem acima, o historiador se refere a dois dos mais importantes representantes do pensamento da chamada Escola de Frankfurt. Qual das alternativas abaixo pode preencher a lacuna acima?
(A) Sigmund Freud e Erich Fromm.
(B) Martin Heidegger e Theodor W. Adorno.
(C) Walter Benjamin e Marshall McLuhan.
(D) Hanna Arendt e Max Horkheimer.
(E) Theodor W. Adorno e Max Horkheimer.

38. Na passagem citada, o autor afirma que a chamada Escola de Frankfurt não pode ser definida univocamente, mas que, pelo contrário, ela foi composta por diferentes linhas e pensamentos. Entre outras, pode-se dizer que essas diferentes linhas que compuseram a escola de Frankfurt são
(A) o hegelianismo, o marxismo, a psicanálise e a sociologia crítica.
(B) o marxismo, a psicanálise, o estruturalismo e a sociologia crítica.
(C) o estruturalismo, a sociologia crítica e a lingüística aplicada.
(D) o hegelianismo, o marxismo, a psicanálise e o neokantismo.
(E) o existencialismo, o estruturalismo e a sociologia crítica.

Atenção: O texto a seguir refere-se às questões de números 39 e 40.
Na Grécia antiga, mostravam-se lugares pelos quais se descia aos Infernos. Nossa existência durante a vigília é também um país em que, em lugares afastados, desce-se ao mundo inferior, um país cheio de lugares que parecem insignificantes e em que os sonhos desembocam. Todos os dias passamos por esses lugares sem desconfiar, mas, assim que chega o sono, com a rapidez de um relâmpago, mergulhamos neles para nos comprazer nos sombrios corredores e neles nos perder. O labirinto de casas da cidade lembra a clara luz da consciência; as passagens (são as galerias que levam a seu ser passado) desembocam todos os dias nas ruas sem chamar a atenção. Mas à noite, sob as sombrias massas das casas, sua escuridão mais compacta se espalha em volta, assustadora, e o transeunte atrasado apressa o passo diante delas, como se tivesse sido encorajado a viajar pela ruela estreita.
(BENJAMIN, W. Passagens, citado por WIGGERSHAUS, R. A escola de Frankfurt. História, desenvolvimento teórico, significação política. São Cristóvão: Difel, 2002, p. 230)

39. A partir desse trecho é possível dizer que Walter Benjamin, segundo Rolf Wiggershaus, desejava
(A) realizar uma mitologia da modernidade, que substituiria aquela mitologia aniquilada pelo desencantamento do mundo moderno.
(B) mostrar que o processo de desencantamento típico do capitalismo não diminuía o sombrio temor que cerca tudo o que é humano, mas apenas o recalcava e deslocava.
(C) construir uma teoria psicanalítica que desvendasse, à maneira freudiana, os meandros do inconsciente que teriam escapado ao pai da psicanálise.
(D) elaborar uma teoria estética de caráter sobretudo grotesco, cujo objetivo era trazer à tona o lado obscuro e vil da humanidade.
(E) escrever uma obra de caráter urbanístico acerca das galerias parisienses recém-construídas no século XIX.

40. O trecho de Walter Benjamin citado acima, ainda segundo Wiggershaus, mostra uma grande aproximação com um movimento estético contemporâneo do mesmo período que, embora se utilizasse da linguagem artística e não da filosófica, trazia em si as mesmas críticas que a teoria benjaminiana. Esse movimento é o
(A) cubismo.
(B) dadaísmo.
(C) impressionismo.
(D) surrealismo
(E) realismo.

41. Não existe uma definição única de Filosofia. Existem diversas definições possíveis acerca de seu significado.
Entretanto, é possível afirmar que a Filosofia NÃO pode ser definida como
(A) uma visão de mundo de um povo, de uma civilização ou de uma cultura, nas quais ela corresponderia ao conjunto de ideias, valores e práticas pelos quais uma sociedade apreende e compreende o mundo e a si mesma.
(B) uma sabedoria de vida, na medida em que aprende e ensina a controlar os desejos, sentimentos e impulsos e a dirigir a própria vida de modo ético e sábio.
(C) um esforço racional para conceber o Universo como uma totalidade ordenada e dotada de sentido.
(D) uma fundamentação teórica e crítica dos conhecimentos e das práticas.
(E) uma visão particular de mundo em que predominam os valores e as opiniões individuais.

42. Hanna Arendt abre A condição humana com a seguinte declaração: Em 1957, um objeto terrestre, feito pela mão do homem, foi lançado ao universo, onde durante algumas semanas girou em torno da Terra segundo as mesmas leis de gravitação que governam o movimento dos corpos celestes - o Sol, a Lua e as estrelas. É verdade que o satélite artificial não era nem lua nem estrela; não era um corpo celeste que pudesse prosseguir em sua órbita circular por um período de tempo que para nós, mortais limitados ao tempo da Terra, durasse uma eternidade. Ainda assim, pôde permanecer nos céus durante algum tempo; e lá ficou, movendo-se no convívio dos astros como se estes o houvessem provisoriamente admitido em sua sublime companhia.
(ARENDT, H. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2001, p. 9)
Assinale a alternativa abaixo que NÃO fornece uma explicação desse fato, de acordo com as ideias da autora:
(A) Segundo Hanna Arendt, o homem, por meio de uma de suas condições mais essenciais, o trabalho, seria capaz de rivalizar artificialmente com as leis eternas da natureza.
(B) O objeto lançado ao espaço pela primeira vez demonstra não apenas a capacidade do homem de rivalizar com as leis da natureza, mas também a de separar-se de sua condição natural.
(C) A autora se utiliza do fato em questão para refletir, no livro citado, sobre as ações humanas no mundo.
(D) O fato relatado aponta para a produção do homem futuro, motivado por uma rebelião contra a existência humana tal como nos foi dada.
(E) O fato em questão, segundo a autora, aponta para a única saída possível para o homem depois da destruição da Terra, a saber, a possibilidade de encontrar um novo planeta para morar.

43. Segundo o livro A condição humana, de Hanna Arendt, as três atividades humanas fundamentais são
(A) a fabricação, o trabalho e a ação e são designadas pela expressão homo faber.
(B) o labor, o trabalho e a ação e são designadas pela expressão vita activa.
(C) o jogo, o labor e o trabalho e são designadas pela expressão homo ludens.
(D) a linguagem, o labor e o trabalho e são designadas pela expressão homo laborans.
(E) a política, a linguagem e o trabalho e são designadas pela expressão zoon politikon.

44. Se o Deus criador é o Ser perfeito e possui entre os seus atributos a Suprema Bondade, identificada de certa maneira com a Forma do Bem platônica, como é possível a existência do Mal? Teria o Deus sumamente bom criado o Mal? A ......, muito forte naquele período, defendia a existência de dois princípios equivalentes, o Bem e o Mal, em luta permanente, com uma tendência de identificação de ambos com Deus e o Demônio, respectivamente. ......, inspirado em Platão, defende que só o Bem existe, sendo o Mal apenas a ausência, ou privação, do Bem. Deus, o Ser perfeito, é sumamente Bom, mas os seres criados, inferiores na ordem do Ser, são imperfeitos e finitos, perecíveis. Daí se origina o Mal como falha, imperfeição. Esta é a solução ontológica, e também teológica, para o problema da existência ou da realidade do Mal.
(MARCONDES, D. Textos básicos de ética. De Platão a Foucault. São Paulo: Jorge Zahar, 2007, p. 51)
As lacunas do texto acima podem ser preenchidas apenas por uma das alternativas abaixo. Qual alternativa é essa?
(A) Doutrina aristotélica e Epicuro.
(B) Doutrina estóica e Cícero.
(C) Doutrina platônica e Aristóteles.
(D) Doutrina maniqueísta e Santo Agostinho.
(E) Doutrina platônica e São Tomás de Aquino.

45. A uma certa altura de sua Fundamentação da metafísica dos costumes, Kant formula o princípio segundo o qual "age somente de acordo com aquela máxima pela qual possas ao mesmo tempo querer que ela se torne universal".
(Citado por MARCONDES, D. Textos básicos de ética. De Platão a Foucault. São Paulo: Jorge Zahar, 2007, p.87)
Conhecendo-se a filosofia moral kantiana, pode-se dizer que essa é a definição de
(A) máxima moral.
(B) ação prática.
(C) esclarecimento.
(D) imperativo categórico.
(E) categoria prática.

46. Segundo Marilena Chaui (Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2006, p. 39), o período pré-socrático também poderia ser denominado período cosmológico. Dentre as principais características dessa cosmologia, NÃO se pode assinalar a (A) explicação racional e sistemática sobre a origem, ordem e transformação da natureza, da qual os seres humanos fazem parte.
(B) busca do princípio natural, eterno, imperecível e imortal, gerador de todos os seres.
(C) investigação mitológica da origem do Universo, que situaria as causas dos fenômenos da natureza nos seres supraterrenos.
(D) afirmação de que, embora a physis seja imperecível, ela dá origem a todos os seres infinitamente variados e diferentes do mundo.
(E) afirmação de que, embora a physis seja imutável, os seres físicos ou naturais gerados por ela, além de serem mortais, são mutáveis ou seres em contínua transformação.

47. De resto, não é difícil ver que o nosso tempo é um tempo de nascimento e passagem para um novo período. O espírito rompeu com o mundo de seu existir e do seu representar que até agora subsistia e, no trabalho de sua transformação, está para mergulhar esse existir e representar no passado. Na verdade, o espírito nunca está em repouso, mas é concebido sempre num movimento progressivo. Mas, assim como na criança, depois de um longo e tranqüilo tempo de nutrição, a primeira respiração - um salto qualitativo ? quebra essa continuidade de um progresso apenas quantitativo e nasce então a criança, assim o espírito que se cultiva cresce lenta e silenciosamente até a nova figura e desintegra pedaço por pedaço seu mundo precedente. Apenas sintomas isolados revelam seu abalo. A frivolidade e o tédio que tomam conta do que ainda subsiste, o pressentimento indeterminado de algo desconhecido, são os sinais precursores de que qualquer coisa se aproxima. Esse lento desmoronar-se, que não alterava os traços fisionômicos do todo, é interrompido pela aurora que, num clarão, descobre de uma só vez a estrutura do novo mundo.
Essa passagem, citada por Gildo Marçal Brandão em Os clássicos da política (São Paulo: Ática, 2005, vol. II, p. 104), refere-se inconfundivelmente ao conceito
(A) hegeliano de dialética, fundamento de sua filosofia da história, segundo o qual uma época sempre dá lugar a uma outra, que, suprimindo-a, conserva-a em si mesma e inaugura uma nova figura do espírito absoluto.
(B) kantiano de progresso, segundo o qual a razão pura está sempre num movimento ascendente em direção à sua saída do estado de minoridade e ao seu esclarecimento total.
(C) marxista de luta de classes, motor da história da humanidade, segundo o qual uma época sucede à outra empreendendo revoluções e que tem por base a ideia de que a infraestrutura determina a superestrutura.
(D) schilleriano de educação estética da humanidade, no qual se propõe que o progresso humano efetivo apenas poderia se dar pelo retorno às suas condições infantis de brincar e de jogar, na medida em que constituem atividades propriamente estéticas.
(E) rousseauísta de progresso, na medida em que demonstra a corrupção da época moderna e situa o progresso na regressão ao estado natural do homem cujo melhor exemplo é o da inocência da criança.
Atenção: O texto a seguir se refere às questões de números 48 e 49.
Ao contrário da filosofia alemã que desce do céu para a terra, trata-se aqui de subir da terra para o céu. Em outras palavras, não partimos do que os homens dizem, imaginam, concebem, nem tampouco daquilo que eles são nas palavras, no pensamento, na imaginação e na concepção de outros, para em seguida chegar aos homens em carne e osso; não, partimos dos homens em sua atividade real; é a partir também de seu processo de vida real que concebemos o desenvolvimento dos reflexos e ecos ideológicos deste processo vital. E mesmo as fantasmagorias do cérebro humano são sublimações que resultam necessariamente do processo de sua vida material que podemos constatar empiricamente e que se assenta sobre bases materiais. A partir daí, a moral, a religião, a metafísica e todo o restante da ideologia, bem como as formas de consciência que lhe correspondem, imediatamente perdem toda aparência de autonomia. Não têm história nem evolução; são os homens, ao contrário, que, ao desenvolverem sua produção material e suas relações materiais, transformam com esta realidade que lhes é própria o seu pensamento e os produtos desse pensamento. Não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência.
(MARX, K. A ideologia alemã. In: "Os clássicos da política". São Paulo: Ática, 2005, vol. II, p. 258-9)

48. A partir dessa passagem de Marx, é possível dizer que seu pensamento
(A) nega o mundo das palavras, do pensamento e da imaginação humanos, para lidar apenas com o mundo do espírito supra-humano.
(B) nega o mundo do homem de carne e osso para lidar apenas com o homem abstrato, situado na ideia.
(C) nega toda e qualquer autonomia, história e evolução à moralidade, à religião e à metafísica.
(D) afirma a necessidade de partir do homem real, pois são as suas relações materiais que transformam os produtos do seu pensamento.
(E) afirma a necessidade de realizar uma filosofia dos fenômenos da consciência e suas relações com a vida.

49. A passagem de Marx citada acima é ilustrativa de seu método de investigação comumente denominado
(A) idealismo dialético.
(B) materialismo histórico.
(C) dialético transcendental.
(D) analítico histórico.
(E) fenomenológico genético.

50. Tentemos, pois, uma vez, experimentar se não se resolverão melhor as tarefas da metafísica, admitindo que os objetos se deveriam regular pelo nosso conhecimento, o que assim já concorda melhor com o que desejamos, a saber, a possibilidade de um conhecimento a priori desses objetos, que estabeleça algo sobre eles antes de nos serem dados.
(KANT, I. Crítica da razão pura, citado por CHAUI, M. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2006, p. 76, nota 7)
Como a obra de Kant citada, a Crítica da razão pura, resolve a tarefa de estabelecer algo acerca do objeto antes que ele seja dado? Assinale a alternativa INCORRETA.
(A) É possível estabelecer algo acerca do objeto antes de ser dado na medida em que o objeto é constituído ao mesmo tempo pela sensibilidade e pelas categorias puras do entendimento.
(B) A questão é resolvida por Kant por meio da chamada revolução copernicana, isto é, ao deixar não que o sujeito se regule pelos objetos, mas os objetos pelo sujeito.
(C) O objeto pode ser conhecido antes de ser dado na medida em que, para Kant, o sujeito possui idéias inatas a partir das quais provém o objeto.
(D) O objeto pode ser conhecido antes de ser dado na medida em que as categorias puras do entendimento constituem as condições de possibilidade dos objetos da experiência.
(E) É possível estabelecer algo acerca do objeto antes de ser dado na medida em que o sujeito põe algo a priori no próprio objeto.

51. Segundo Marilena Chaui (Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2006, p.81), no final do século XIX e início do século XX, a preocupação com o transcendental reapareceu com a filosofia de Edmund Husserl, a fenomenologia. A discussão do dilema entre o inatismo e o empirismo é retomada por Husserl a partir das discussões sobre os fundamentos da lógica e da matemática e prossegue quando o filósofo procura determinar as condições a priori de possibilidade da Filosofia como ciência rigorosa.
Baseado nessa afirmação, pode-se dizer que a fenomenologia, para Husserl, é a descrição
(A) das experiências da consciência como atividade de conhecimento.
(B) das experiências da consciência na história.
(C) das mutações do fenômeno tal como aparece na experiência sensível.
(D) dos estados psicológicos da mente.
(E) das figuras do espírito absoluto.

52. Em suas Metamorfoses, o poeta latino Ovídio escreveu:
Não há coisa alguma que persista em todo o Universo. Tudo flui, e tudo só apresenta uma imagem passageira. O próprio tempo passa com um movimento contínuo, como um rio... O que foi antes já não é, o que não tinha sido é, e todo instante é uma coisa nova. Vês a noite, próxima do fim, caminhar para o dia, e à claridade do dia suceder a escuridão da noite... .
(citado por CHAUI, M. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2006, p. 31)
É possível relacionar esse trecho das Metamorfoses de Ovídio com a filosofia de um conhecido pensador présocrático, que influenciou toda a história da filosofia até os dias atuais. Esse pensador é
(A) Parmênides de Eléia.
(B) Tales de Mileto.
(C) Heráclito de Éfeso.
(D) Empédocles de Agrigento.
(E) Melisso de Samos.

53. Imagine que Newton ou Einstein tivessem morrido ao nascer. A história das ciências teria sido outra, é claro, porém muito mais em seu ritmo do que em sua orientação. Nem a gravitação universal nem a equivalência da massa e da energia teriam se perdido: alguém, mais tarde, as teria descoberto, e é por isso que se trata de descobertas, de fato, e não [...] de criações. Mas se Shakespeare não tivesse existido, se Michelangelo ou Cézanne não tivessem existido, nunca teríamos tido nenhuma das suas obras nem nada que pudesse substituí-las. Não é apenas o ritmo, as personagens ou o desenrolar anedótico da história da arte que teriam sido diferentes, mas seu conteúdo mais essencial e, inclusive, em parte, sua orientação. Suprimamos Bach, Haydn e Beethoven da história da música: quem pode saber o que a música, sem eles, teria sido?
(COMTE-SPONVILLE, A. Apresentação da Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2009, p. 105)
O que NÃO se pode inferir da ideia acima descrita pelo autor?
(A) O subjetivismo não é um dos elementos mais essenciais da ciência, mas, pelo contrário, a busca pela objetividade.
(B) Se é possível dar uma definição para a arte é a de que ela tem como ponto de partida a subjetividade do artista.
(C) Para a arte é por vezes mais importante a singularidade da obra do que o grau de universalidade que ela traz em si.
(D) Na história da arte a figura do gênio é mais importante do que na história da ciência.
(E) Enquanto a arte almeja na obra a pura objetividade, a ciência somente progride por meio das criações subjetivas de gênios tais como Newton e Einstein.

54. "Amor fati", dizia Nietzsche após os estóicos: "Não querer nada além do que é, nem do passado, nem do futuro, nem dos séculos dos séculos; não se contentar com suportar o inelutável, menos ainda dissimulá-lo a si próprio - todo idealismo é uma maneira de mentir a si mesmo diante da necessidade -, mas amá-lo".
(COMTE-SPONVILLE, A. Apresentação da Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2009, p. 140)
De acordo com Sponville, Nietzsche concordaria com os estóicos no que se refere
(A) à máxima segundo a qual é preciso aceitar o que não depende de nós e fazer o que depende.
(B) ao quietismo de sempre aceitar as coisas tal como elas são.
(C) à concepção, guia da visão de ambos, segundo a qual a filosofia auxilia a suportar o inelutável.
(D) à concepção idealista do mundo e da vida.
(E) ao preceito de que é preciso agir de tal forma que se altere a constituição do ser.

55. Segundo Hanna Arendt, "a condição humana não é o mesmo que a natureza humana".
(A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária.
2001, p. 17)
Segundo a autora, o que se poderia deduzir dessa
distinção essencial? Assinale a alternativa INCORRETA:
(A) A própria soma das capacidades humanas que correspondem à condição humana não constitui algo que se assemelhe à natureza humana.
(B) As condições da existência humana jamais podem explicar o que somos pela simples razão de que jamais nos condicionam de modo absoluto.
(C) As tentativas de definir a natureza humana levam sempre à construção de alguma deidade, a uma ideia platônica da humanidade.
(D) Hoje podemos quase dizer que, embora vivamos agora sob condições terrenas, não somos criaturas terrenas.
(E) Tudo aquilo com o qual os homens entram em contato torna-se imediatamente parte da natureza humana.

56. Diálogo que reúne vários dos principais temas da filosofia platônica, A República inicia-se como uma discussão acerca
(A) do amor.
(B) da justiça.
(C) da paz.
(D) da cidade ideal.
(E) da poesia épica.

57. No livro X da República, Platão censura as artes miméticas.
Quais são os argumentos deste autor? Assinale a alternativa INCORRETA.
(A) São simulacros de simulacros.
(B) São prejudiciais à educação dos jovens.
(C) Fazem oposição à tradição e aos valores vigentes.
(D) Não respeitam o preceito segundo o qual cada um deve falar apenas sobre aquilo que efetivamente conhece.
(E) Não tomam como parâmetro a verdade, mas sim a aparência.

58. Nas Meditações, de Descartes, o exemplo da percepção da cera e de seu derretimento na segunda meditação serve para mostrar que
(A) a imaginação desempenha um papel central na determinação das essências das coisas.
(B) se pode atribuir unidade a um corpo apenas por meio de suas mudanças.
(C) a mente espera acontecimentos futuros a partir de fatos presentes com base em associações mentais passadas.
(D) um corpo não permanece o mesmo durante a passagem do tempo.
(E) concebemos a identidade do objeto percebido apenas por meio da ação do entendimento.

59. No Discurso do Método, Descartes apresenta quatro preceitos metodológicos para a constituição do conhecimento científico, entre os quais está o de conduzir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir, pouco a pouco, como por degraus, até o conhecimento dos mais compostos.
(DESCARTES, R. Discurso do Método. In: Os Pensadores. São Paulo: Abril, 1973. Tradução de J. Guinsburg e Bento Prado Júnior. Segunda parte, p. 46)
Esta ordem pela qual o conhecimento deve ser edificado ficou conhecida como a ordem
(A) das razões.
(B) temática.
(C) das matérias.
(D) silogística.
(E) do ser.

60. A primeira característica da atitude filosófica é negativa, isto é, um dizer não aos "pré-conceitos", aos "pré-juízos", aos fatos e às ideias da experiência cotidiana, ao que todo mundo diz e pensa, ao estabelecido. Numa palavra, é colocar entre parênteses nossas crenças para poder interrogar quais são suas causas e qual é seu sentido.
(CHAUI, M. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2006, p. 18)
Por que a autora diz que a atitude filosófica se caracteriza, em primeiro lugar, por uma atitude negativa? Assinale a alternativa INCORRETA.
(A) A filosofia desinteressa-se pelas crenças do senso comum.
(B) A filosofia é, pelo menos num primeiro momento, mais interrogativa do que afirmativa.
(C) A filosofia toma distância das coisas que habitam a vida cotidiana para examiná-las de outro ponto de vista.
(D) A filosofia vê como enigmático o que o senso comum vê como óbvio e certo.
(E) A filosofia caracteriza-se por um estranhamento e espanto frente à realidade.

61. Leia o texto a seguir.
A história da Filosofia grega é a história de um gigantesco esforço para encontrar uma solução para o problema posto por ...... e ......, pois, se o primeiro tem razão, o pensamento deve ser um fluxo perpétuo e a verdade é a perpétua contradição dos seres em mudança contínua; mas se o segundo [sic] tem razão, o mundo em que vivemos não tem sentido, não pode ser conhecido, é uma aparência impensável e nos faz viver na ilusão.
(CHAUI, M. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2006, p. 105)
Completa correta e respectivamente as lacunas do texto:
(A) Platão e Aristóteles.
(B) Empédocles de Agrigento e Demócrito.
(C) Tales de Mileto e Zenão de Eleia.
(D) Heráclito e Parmênides.
(E) Epicuro e Sócrates.

62. Com relação à lógica, qual das alternativas abaixo é INCORRETA?
(A) Um argumento é válido se a conclusão extraída for consequência lógica de suas premissas.
(B) Um argumento é não apenas válido, mas também correto, se tiver premissas verdadeiras.
(C) A validade de um argumento é garantida pela obediência às regras da lógica.
(D) A conclusão decorrente de um argumento válido é sempre verdadeira ou correta.
(E) A lógica ocupa-se com as formas do argumento e não com o seu conteúdo ou matéria.

63. Leia com atenção o texto a seguir:
Não é necessário a um príncipe ter todas as qualidades mencionadas, mas é indispensável que pareça tê-las. Direi, até, que, se as possuir, o uso constante delas resultará em detrimento seu, e que, ao contrário, se não as possuir, mas afetar possuí-las, colherá benefícios. Daí a conveniência de parecer clemente, leal, humano, religioso, íntegro e, ainda de ser tudo isso, contanto que, em caso de necessidade, saiba tornar-se o inverso.
(MAQUIAVEL, N. O príncipe. In: WEFFORT, F. (org.). Os clássicos da política. São Paulo: Ática, 2004. Vol. 1, p. 39)
Para Maquiavel,
I. a virtude própria do príncipe está no agir conforme as circunstâncias.
II. se o príncipe não for realmente íntegro, não poderá governar por muito tempo, já que perderá o respeito de seus súditos.
III. o comprometimento com as virtudes tipicamente cristãs é muitas vezes prejudicial à governabilidade.
IV. o que tradicionalmente é visto como vício pode ser uma virtude no governo de um Estado.
V. a aparência sempre se fundamenta na essência.
Está correto o que se afirma APENAS em:
(A) I e V.
(B) I, III e IV
(C) V.
(D) II e V.
(E) III.

64. No Leviatã, Hobbes opõe-se à tese aristotélica de que o homem é sociável por natureza, dizendo que
(A) a constituição de uma sociedade organizada é impossível.
(B) a socialização desvirtua o homem, tornando-o indefeso.
(C) ninguém quer renunciar à sua liberdade e viver em sociedade.
(D) os homens são naturalmente inclinados à discórdia e à luta de uns contra outros.
(E) toda ciência política é desprovida de valor, já que os homens não foram feitos para viver em sociedade.

65. Os principais representantes do jusnaturalismo (teoria dos direitos naturais) são
(A) Maquiavel e La Boétie.
(B) Hobbes, Locke e Rousseau.
(C) Montesquieu e Diderot.
(D) Toqueville e Stuart Mill.
(E) Kant e Montesquieu.

66. No capítulo IV de A Política, Aristóteles diz que o que faz uma pessoa ser cidadã é o fato de
(A) ser residente na cidade e maior de idade.
(B) poder ser admitida em audiência nos tribunais e até mesmo julgada, se for o caso.
(C) ter algum ofício ou trabalho na cidade.
(D) ser virtuosa, exercendo ações de caridade com os mais necessitados.
(E) ter o direito de voto nas assembleias, bem como o de participação no exercício do poder público.

67. Leia com atenção o texto a seguir.
A virtude é a própria potência do homem, que se define exclusivamente pela essência dele [...], isto é [...], que se define exclusivamente pelo esforço que o homem faz para perseverar em seu ser. Logo, quanto mais alguém se empenha em conservar seu ser e tem poder para tal, mais é dotado de virtude. O contrário acontece [...], na medida em que alguém desdenha conservar seu ser, e por isso é impotente.
(ESPINOSA, B. Ética. In: MARCONDES, D. (org.). Textos básicos de ética: de Platão a Foucault. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007, p. 75)
É INCORRETO dizer que, para Espinosa,
(A) o ser humano que é virtuoso age conforme a natureza.
(B) o conceito de virtude liga-se ao de autoconservação.
(C) os homens, para alcançar a virtude, devem superar a sua tendência natural por meio do hábito.
(D) os homens são virtuosos por essência.
(E) um ser humano age contra a própria utilidade somente sob a influência de causas externas que o corrompem.

68. Além do Cristianismo, qual pensamento influenciou fortemente a ética de São Tomás de Aquino?
(A) A filosofia de Platão.
(B) O maniqueísmo.
(C) O estoicismo.
(D) O epicurismo.
(E) A filosofia de Aristóteles.

69. Na obra Além do bem e do mal, Nietzsche nega que as dicotomias metafísicas tradicionais, tais como bem/mal e verdadeiro/falso, sejam derivadas
(A) dos sentimentos e instintos humanos.
(B) da história.
(C) da razão universal.
(D) da cultura.
(E) da educação.

70. O conhecimento científico não é o reflexo das leis da natureza. Traz com ele um universo de teorias, de ideias, de paradigmas, o que nos remete, por um lado, para as condições bioantropológicas do conhecimento (porque não há espírito sem cérebro), por outro lado, para o enraizamento cultural, social, histórico das teorias.
(MORIN, E. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002, p. 21)
A partir do texto acima citado, depreende-se que, para o autor,
(A) não se pode abstrair o conhecimento científico das condições de sua elaboração.
(B) o conhecimento científico é completamente objetivo e neutro.
(C) não se pode confiar no conhecimento científico, já que ele resulta de um processo completamente subjetivo.
(D) o conhecimento científico não trata das leis da natureza.
(E) o conhecimento científico é uno e contínuo, apesar dos diferentes fatores que estão em jogo.

71. A lógica clássica tinha valor de verdade absoluta e geral e, desde que se chegasse a uma contradição, o pensamento devia fazer marcha atrás; a contradição era o sinal de alarme que indicava o erro. Ora, Bohr notou, a meu ver, um acontecimento de importância epistemológica fundamental quando, não por fadiga, mas por consciência dos limites da lógica, suspendeu o grande jogo entre a concepção corpuscular e a concepção ondulatória da partícula, declarando que era necessário aceitar a contradição entre as duas noções tornadas complementares, visto que as experiências levavam racionalmente a esta contradição.
(MORIN, E. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002,p. 145-146)
Tomando este texto em consideração, é INCORRETO dizer que a física quântica de Niels Bohr
(A) provoca uma mudança de paradigma nas ciências.
(B) desafia a lógica clássica, uma vez que suas descobertas não podem ser pensadas a partir do princípio de contradição.
(C) opõe-se, de certo modo, ao modelo racionalista da física newtoniana, na medida em que as suas teorias não pretendem ser universais e necessárias.
(D) desdenha os experimentos, já que estes levam a contradições.
(E) aceita uma dose de indeterminismo na descrição dos fenômenos.

Atenção: O texto a seguir refere-se às questões 72 e 73.
A técnica é um conhecimento empírico, que, graças à observação, elabora um conjunto de receitas e práticas para agir sobre as coisas. A tecnologia, porém, é um saber teórico que se aplica praticamente. Por exemplo, um relógio de sol é um objeto técnico que serve para marcar horas seguindo o movimento solar no céu. Um cronômetro, porém, é um objeto tecnológico: por um lado, sua construção pressupõe conhecimentos teóricos sobre as leis do movimento (as leis do pêndulo) e, por outro, seu uso altera a percepção empírica e comum dos objetos, pois serve para medir aquilo que nossa percepção não consegue perceber. Uma lente de aumento é um objeto técnico, mas o telescópio e o microscópio são objetos tecnológicos, pois sua construção pressupõe o conhecimento das leis científicas definidas pela óptica. Em outras palavras, um objeto é tecnológico quando sua construção pressupõe um saber científico e quando seu uso interfere nos resultados da pesquisa científica.
(CHAUI, M. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2006, p. 222)

72. A partir do texto acima citado, pode-se dizer que a tecnologia difere da técnica na medida em que
(A) não possui aplicação prática.
(B) é acessível a todos.
(C) cria uma interdependência entre os seus objetos e os conhecimentos científicos.
(D) não consiste em um conhecimento.
(E) é puramente teórica.

73. A tecnologia e a produção de objetos tecnológicos são inseparáveis do ideal de intervenção e de controle da natureza por meio do conhecimento científico, ideal que se torna dominante a partir
(A) da Idade Antiga.
(B) da Idade Média.
(C) da Idade Moderna.
(D) do século XIX.
(E) da segunda metade do século XX.

74. O que é Deus? É o ser absolutamente necessário (causa de si), absolutamente criador (causa de tudo), absolutamente absoluto (não depende de nada, tudo depende dele): é o Ser dos seres, e o fundamento de todos. Ele existe? Existe por definição, sem que, no entanto, possamos tomar a sua definição como prova. É o que há de fascinante e, ao mesmo tempo, irritante na famosa prova ...... que perpassa ? pelo menos de santo Anselmo a Hegel ? toda a filosofia ocidental.
(COMTE-SPONVILLE, A. Apresentação da filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2009, p. 78 e 79. Tradução de Eduardo Brandão)
O autor está se referindo à prova
(A) cosmológica
(B) lógica.
(C) ontológica.
(D) físico-teleológica.
(E) geométrica.

75. "O que é a morte?", os filósofos não pararam de responder. Toda uma parte da metafísica se joga aí. Mas suas respostas, para simplificar ao extremo, se dividem em dois campos: uns que dizem que a morte não é nada (um nada, estritamente); outros que afirmam que é outra vida, ou a mesma vida continuada, purificada, libertada... São duas maneiras de negá-la: como nada, já que o nada não é nada, ou como vida, já que a morte, nesse caso, seria uma vida. Pensar a morte é dissolvê-la: o objeto, necessariamente, escapa.
(COMTE-SPONVILLE, A. Apresentação da filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2009, p. 47 e 48. Tradução de Eduardo Brandão)
Assinale a alternativa que nomeia, respectivamente, um representante da posição segundo a qual a morte não é nada e um representante da posição segundo a qual a morte é a passagem para uma outra vida.
(A) Epicuro e Platão.
(B) Leibniz e Montaigne.
(C) Heidegger e Nietzsche.
(D) Platão e Aristóteles.
(E) Santo Agostinho e São Tomás de Aquino.

76. "Para julgar as aparências que recebemos dos objetos", escreve Montaigne, "necessitaríamos de um instrumento judicatório; para verificar esse instrumento, necessitamos da demonstração; para verificar a demonstração, de um instrumento: eis-nos andando à roda."
(COMTE-SPONVILLE, A. Apresentação da filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2009, p. 59 e 60. Tradução de Eduardo Brandão)
Montaigne NÃO está defendendo que
(A) a avaliação crítica do conhecimento recai num círculo vicioso.
(B) na crítica do conhecimento, o juiz da questão é o próprio réu.
(C) o conhecimento não pode aspirar a uma certeza absoluta.
(D) só podemos verificar se as nossas representações correspondem à realidade por meio de instrumentos científicos.
(E) os homens não possuem acesso direto às coisas, mas só possuem acesso às suas aparências.

77. Leia e complete a lacuna corretamente.
......, numa passagem célebre da sua Lógica, resumia o domínio da filosofia em quatro questões: Que posso saber? Que devo fazer? O que me é permitido esperar? O que é homem?
(COMTE-SPONVILLE, A. Apresentação da filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2009, p. 15. Tradução de Eduardo Brandão)
(A) Descartes.
(B) Kant.
(C) Platão.
(D) Sartre.
(E) Leibniz.

78. No mito platônico da caverna, apresentado no sétimo livro da República, o Sol representa
(A) o Demiurgo.
(B) a ideia do bem.
(C) o mundo sensível.
(D) os pensamentos.
(E) o principal elemento na constituição do mundo.

79. Já que, de um lado, tenho uma ideia clara e distinta de mim mesmo, na medida em que sou apenas uma coisa pensante e inextensa, e que, de outro, tenho uma ideia distinta do corpo, na medida em que é apenas uma coisa extensa e que não pensa, é certo que este eu, isto é, minha alma, pela qual eu sou o que sou, é inteira e verdadeiramente distinta de meu corpo e que ela pode ser ou existir sem ele.
(DESCARTES, R. Meditações. In: Os Pensadores. São Paulo: Abril, 1973. Tradução de J. Guinsburg e Bento Prado Júnior. Meditação sexta, § 17, p. 14)
A tese apresentada no texto supracitado é conhecida como (A) dualismo.
(B) espiritualismo.
(C) solipsismo.
(D) nihilismo.
(E) ceticismo.

GABARITO:
031 - D
032 - E
033 - C
034 - B
035 - A
036 - E
037 - E
038 - A
039 - B
040 - D
041 - E
042 - E
043 - B
044 - D
045 - D
046 - C
047 - A
048 - D
049 - B
050 - C
051 - A
052 - C
053 - E
054 - A
055 - E
056 - B
057 - C
058 - E
059 - A
060 - A
061 - D
062 - D
063 - B
064 - D
065 - B
066 - E
067 - C
068 - E
069 - C
070 - A
071 - D
072 - C
073 - C
074 - C
075 - A
076 - D
077 - B
078 - B
079 - A
     

 
 
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