Moisés Maimônides foi um médico, filósofo e teólogo judeu que
formulou 13 princípios da fé hebraica: 1 - Deus Existe; 2 - Deus é único; 3 -
Deus é espiritual e incorpóreo; 4 - Deus é eterno; 5 - A adoração é reservada
somente para Deus; 6 - Deus se revelou através de seus profetas; 7 - Moisés foi
o primeiro entre os profetas; 8 - Deus entregou suas leis no Monte Sinai; 9 - A
Torah é imutável como lei de Deus; 10 - Deus conhece as ações humanas antes
delas acontecerem; 11 - Deus recompensa o bem e pune o mal; 12 - O messias vai
vir; 13 - Os mortos vão ressucitar. Estes 13 princípios dogmáticos foram objeto
de diversas controvérsias dentro do mundo judaico.
Em seu
livro O Guia dos Perplexos ele busca harmonizar as divergências e os conflitos
existentes entre a filosofia e a teologia de sua época. Para ele, se as coisas
existem, e elas existem conforme nos mostram nossos sentidos, é obrigatório que
exista também um Ser necessário. E isso acontece porque as coisas que existem
necessitam de uma causa, e esta causa é o Ser necessário, ou Deus. Deus tem
conhecimento de todas as coisas, mesmo das coisas específicas. Mas o
conhecimento de Deus de todas as coisas não significa que ele tenha múltiplos
conhecimentos, pois as coisas podem mudar, mas o conhecimento de Deus não. O
conhecimento de Deus é único, pois são as coisas que dependem do seu
conhecimento, e não o contrário.
Nós não
temos como conhecer através da nossa razão como são as coisas antes de
existirem e em que condições elas estavam. Explicação que utilizam esse tipo de
argumento não tem validade. Através deles não podemos demonstrar nada, pois só podemos conhecer as coisas em ato e não as que ainda estão em potência. Assim
sendo, Maimônides conclui que não podemos pensar na tese da eternidade, mas
podemos sim pensar na tese da criação. Pensar na criação além de possível é um
pensamento certo, pois as coisas e os seres já estão em ato, já existem.
O ato de
criação foi um ato livre e não um ato necessário, dessa forma o mundo poderia
ser diferente do que é, mas ele é assim por causa de uma escolha livre feita
por Deus. Se o mundo pode ser diferente é porque ele não é absolutamente
necessário, e se ele não é necessário, não é eterno.
O homem é
livre tanto para conhecer o que quiser como para agir da forma que quiser, mas
Deus através da sua providência conhece também o futuro das ações humanas.
Essas duas coisas: o homem é livre e responsável por seus atos e Deus já tem
predeterminado o futuro, parecem contraditórias, mas para Maimônides elas são
conciliáveis, como essa conciliação acontece é que nós não sabemos.
Para
Maimônides a alma é essencialmente única, mas tem em si cinco faculdades: A
força vital; os sentidos; a imaginação; as paixões e vontades; e a razão
que nos dá liberdade de compreenção. A razão é a faculdade que diferencia o
homem e o faz ser o que é, as outras são compartilhadas também pelos animais.
Sentenças:
- É melhor inocentar mil culpados do que matar um só
inocente.
- Seja perplexo.
- Um jogador perde sempre. Perde dinheiro, dignidade e
tempo. E se vence tece em torno de si uma teia de aranha.
- A perfeição espiritual do homem consiste em se tornar um
ser inteligente, que conheça sobretudo a sua capacidade de aprender.
- Nenhuma proibição da Torá é mais difícil de cumprir do que
as uniões proibidas e as relações sexuais ilícitas.
- Não existe outro meio de conhecer Deus que não seja
através de suas obras, são elas que indicam a sua existência.