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Resenhas de um Clássico

(17/Nov) A Cura de Schopenhauer, de Irvin D. Yalom
A CURA DE SCHOPENHAUER
por Marilene Carvalho e Márcio Nazareth


Obra de Irvin D. Yalom, mesmo autor de ?Quando Nietzsche Chorou?, contada em 42 capítulos entrelaçados entre a vida de um médico psiquiatra, as sessões de terapia em grupo e a vida de Arthur Schopenhauer.
Dr. Julius era um médico Psiquiatra de renome, reside na cidade de São Francisco, em uma casa, onde também atendia como terapeuta, que aos 65 anos, após fazer seus exames médicos de rotina anual, descobre que está com melanoma maligno, com possibilidade de vida saudável de 1 ano.Enquanto absorve esta nova realidade em sua vida, reflete, lendo sobre a doença, participando aos entes, passando noites em claro, com o pânico instalado em si, buscando uma resposta de como dar continuidade e sentido ao que resta. Examinando um exemplar de ?Assim Falou Zaratustra?, de Nietzsche, que ensina como reverenciar e celebrar a vida descobre a resposta, o passaporte para lhe completar, usufruir, amar seu destino, morrer na hora certa, viver o melhor possível. Em suas reflexões, começa a pensar se realmente foi útil como terapeuta, e pensa naqueles casos difíceis, e um em especial lhe chamou atenção, Philip Slate.
Dr. Julius resolve procurá-lo, pois este abandonou os tratamentos a mais de 22 anos, que fim teria levado este paciente, inteligente, bonito, arrogante, indiferente às pessoas e as coisas, contido em suas emoções, químico, que o procura por ter grande impulso sexual. Eles se encontram, e Dr. Julius percebe que o mesmo homem de 22 anos, ainda se apresentava o mesmo nas relações pessoais, mas havia conseguido se livrar daquela obsessão sexual, tendo sido Schopenhauer seu terapeuta. Agora professor e terapeuta. Philip pede para que Julius seja seu Supervisor Terapeuta, (?Não é porque você não conseguiu ser um bom terapeuta para mim, que não possa ser um bom Supervisor Terapeuta?). Julius coloca a condição de ele freqüentar uma terapia em grupo, pois achava que ele só poderia ser um terapeuta, se melhorasse sua condição de se relacionar com as pessoas, se importar com seus pacientes. Um encontro no estilo do Eu-Tu de Buber
O grupo de terapia é formado por 6 pessoas; ( Bonnie, Rebeca, Pam, Gill, Stuart, Tony). Pam se encontra ausente, por estar fazendo uma viagem Índia.. Philip Slate se apresenta ao grupo, começa então uma linda trama terapêutica recheada de observações muito inteligentes que Philip faz com os pensamentos, idéias e aforismos de Schopenhauer nas vidas de cada um do grupo. Dr. Julius percebe um grande desafio, sente-se muitas vezes enciumado, mas experiente e mais sensato por força de sua doença, consegue fazer um trabalho brilhante com o grupo. As coisas se esquentam com a chegada de Pam, que fica arrasada ao ver que Philip faz parte de seu grupo, o espanto é por causa de seu envolvimento com Philip quando muito nova,18 anos, em um curso de verão, Philip era o AP (Assistente de Professor), e havia se relacionado com sua amiga Molly e abandonou-as sem dizer o por quê. As sessões continuam, seguidas de grandes revelações.
?Se não conto meu segredo, ele é meu prisioneiro. Se o deixo escapar, sou prisioneiro dele.?
?A árvore do silêncio dá os frutos da paz.?
O fato de saber que o grupo ia acabar fazia com que os participantes tratassem seus assuntos mais importantes, daí pioneiros como Otto Rank e Carl Rogers, sempre datarem o término já no início do tratamento.
A penúltima sessão, inicia-se com sentimentos diversos, o grupo iria acabar, os assuntos de cada um não mais seria abordados, outros olhavam para Julius como que quisessem guardar seu rosto na memórias. Mas uma síntese se fazia necessária. Julius descreve a razão de cada um estar ali. Pam, por problemas com os homens; Rebecca porque sua aparência influenciava sua relação com os outros, Tony por causa de uma relação destrutiva com Lizzy e brigas com ouros homens; Gill veio por causa de conflitos conjugais; Stuart, porque a mulher ameaçava deixa-lo; Bonnie, por solidão, problemas com a filha e o ex-marido e Philip como condição de obter orientação, porém mais do que ter a orientação, era importante mostrar à Philip que ele precisava melhorar sua relação pessoal, com o mundo social. ?Coma como homem, beba como homem (...) case-se, tenha filhos, participe da comunidade, saiba como suportar as afrontas e os outros?. Epícteto
Julius, sempre conduziu a terapia com motivação emocional, e interação dos participantes, e nas últimas reuniões havia intensificado com Philip que se rende, se despe de sua armadura fria e da mansão de idéias de Schopenhauer, sente o calor do grupo, percebe que a sala é quente, e que o lugar onde mora é gelo, mas quanto ao amor diz desconhece-lo. ?Sou solitário e ninguém que me conheceu, jamais gostou de mim?. Pam então lhe diz que quando abandonada por ele, ligou e escreveu diversas vezes para ele, diz que podia ter amado, gostado, que foi o homem mais bonito, e repete várias vezes.
Philip se afasta, chora, e Julius o acolhe.
No dia seguinte à sessão Julius passa mal, fica em coma por três dias e morre.
Três anos depois, Philip e Tony iniciam seus trabalhos de terapia, o primeiro como orientador, com as idéias da filosofia que podem ajudar as pessoas e o segundo como facilitador emocional.

Dados:
Título: A Cura de Schopenhauer
Autor: Irvin D. Yalom
Tradução: Beatriz Horta
Ano: 2006
Editora: Ediouro
Páginas: 334
ISBN: 85-00-01483-0
Valor: 49,90
Responsáveis: Marilene I. Carvalho Duarte e Márcio Matta de Nazareth.




FICHA TÉCNICA DOS PERSONAGENS

ASSUNTO IMEDIATO:
Bonnie: procurou terapia por solidão, problemas com a filha e o ex-marido;
Rebecca: sua aparência influenciava sua relação com os outros;
Gill: conflitos conjugais, alcoólatra.
Stuart: porque a mulher ameaçava deixá-lo;
Tony: relação destrutiva com Lizzy
Pam: problemas com os homens
Philip: conseguir que Dr. Julius fosse seu supervisor terapeuta

PROFISSÃO:
Rebecca: advogada
Gill: chefão de um grande hospital
Stuart: médico, cuida das crianças, cuida dos pais das crianças.
Tony: carpinteiro
Philip: químico, professor, futuro terapeuta.
Pam: professora universitária
Bonnie: bibliotecária

QUALIDADE:
Rebecca: linda, filhos maravilhosos.
Gill: bonito
Stuart: bom e tem sucesso
Tony: sincero, honesto.
Philip: inteligente
Pam: aberta, viajada.
Bonnie: afetuosa, generosa.

QUESTÕES APRESENTADAS DURANTE A TERAPIA:
Gill: esposa Rose tia Val.
Stuart: transa no hotel com bêbada
Rebecca: história em Las Vegas
Bonnie: ex-marido a deixou, pais alcoólatras, raiva.
Philip: Caso com Moly (amiga de Pam), obsessão sexual.
Pam: transa com Tony



A CURA DE SCHOPENHAUER

COMENTÁRIOS

?Cada vez que respiramos, afastamos a morte que nos ameaça (...) No final, ela vence, pois desde o nascimento esse é o nosso destino e ela brinca um pouco com sua presa antes de comê-la. Mas continuamos vivendo com grande interesse e inquietação pelo maior tempo, da mesma forma que sopramos uma bolha de sabão até ficar bem grande, embora tenhamos absoluta certeza que vai estourar.?


EM RELAÇÃO AO LIVRO:

O que faria você se tivesse uma notícia de um diagnóstico de um câncer maligno, e teria pouco tempo de vida?
Esta é uma das histórias de um livro lido e comentado a cada canto que passei e por vários diferentes tipos de pessoas que encontrei (engenheiro civil, médica homeopata, dona de casa,...) creio, porém, que essa obra ganhou peso não pela quantidade de volumes lidos, mas por seus capítulos versando sobre assuntos: urgente (câncer) e atual (terapias: individual e grupo) tornando o leitor muito participativo.
?A vida é apenas a morte sendo evitada e adiada (...) Cada vez que respiramos, afastamos a morte que nos ameaça e assim lutamos com ela a cada segundo?


E voce, acha que um filósofo pode ajudá-lo?
A outra história versa sobre a compulsão sexual de um rapaz que diz ter sido ?curado? por A. Schopenhauer.
.?A constituição do macho faz com que ele espalhe seu sêmen. Não fui o primeiro nem o último a fazer uma avaliação dos campos onde semeou e plantou?


Fica aqui minha provocação aos leitores. Será mesmo Schopenhauer o protótipo do pessimismo como é considerado pela maioria das pessoas???, até mesmo leigos já escutaram falar isso alguma vez...
Penso que, na maioria das vezes, o filósofo tem muito senso de realidade, apesar da influência de Buda (A vida é sofrimento), assim como parece pensar esse escritor, Irvin Yalom, num fragmento dessa sua obra, numa resposta do personagem Philip sobre Schopenhauer:
- ?Quanto ao pessimismo, prefiro chamar de realismo.?


Voce pode conferir na resenha...



EM RELAÇÃO AO AUTOR:

Irvin Yalom tem algumas mesmas características entre seus livros ?Quando Nietzsche Chorou? e ?A Cura de Schopenhauer?:

Uma delas é o método aplicado nos dois livros, usando a mesma ?ferramenta? para remover o pensamento obsessivo:
Dr. Julius em relação à obsessão de Pam (A Cura de Schopenhauer):
?Primeiro, disse para ela anotar quanto tempo desperdiçava com aquela obsessão (...) minutos por dia. (...) parecia totalmente fora de seu controle (...) recuperar o controle da mente com uma diminuição sistemática das horas de fantasias. Também não adiantou e então sugeriu algo paradoxal que ela escolhesse uma hora todas as manhas só para fazer fantasias (...) mas a obsessão não diminuía e continuou invadindo os pensamentos como antes. Depois, sugeriu várias técnicas de interrupção de pensamentos. Pam passou dias berrando ?Não? para si mesma ou puxando elásticos no pulso. (...) Julius também tentou afastar a obsessão buscando seu sentido subliminar.(...) Se a obsessão não existisse, no que voce pensaria??
Nietzsche em relação à obsessão de Dr. Breuer por Bertha (Quando Nietzsche Chorou):
?Sempre que estiver sozinho e começar a pensar em Bertha, grite: ?Não!? ou ?Pare!? o mais alto possível. Caso não esteja a sós, belisque a si mesmo com força sempre que ela invadir sua mente?.
?Num outro dia, Nietzsche instruiu Breuer a monitorar seu pensamento e, a cada trinta minutos, registrar em seu caderno com que freqüência e por quanto tempo pensara...?

?Ele tenta adestrar minha mente através desses engenhosos pequenos métodos de punição?

Uma segunda observação é que o autor comenta nos seus dois livros sobre ?Assim Falou Zaratustra? de Nietzsche:
Em A Cura de Schopenhauer:
?Entendeu que as palavras de Nietzsche significavam que era preciso escolher sua vida ? ele tinha que usufruí-la em vez de ser ?usufruído? por ela. Em outras palavras tinha que amar seu destino (...) Se gostaríamos de repetir a mesma vida eternamente?
?Continuou folheando (...) ?Complete sua vida? e ?Morra na hora certa?.?
?É isso a vida? Então, de novo ela!?
Em Quando Nietzsche Chorou:
??Morra no momento certo!? Viva enquanto viver! A morte perde seu terror quando se morre depois de consumida a própria vida! Caso não se viva no tempo certo, então nunca se conseguirá morrer no momento certo. Voce consumiu sua vida? Voce viveu sua vida? Ou foi vivido por ela? Escolheu-a? Ou ela escolheu voce? Amou-a? Ou a lamentou??

Outra é, assim como Nietzsche chorou no final da história, nesse segundo livro, fez um personagem ?durão? como Philip também chorar no fim do conto.
?Philip tinha chorado duas vezes na vida: uma, na última sessão do grupo, e outra, ao saber que tinha herdado aquelas nove cadeiras.?




EM RELAÇÃO À SCHOPENHAUER:

Para entender um pouco mais de como esse filósofo pôde ter ajudado Philip (personagem do livro) a ter se ?curado? de uma obsessão sexual, coloco palavras retiradas do próprio livro e personagem:

?Não é possível falar em Schopenhauer sem começar por Kant, o filósofo que, junto com Platão, respeitava os outros acima de tudo. Kant morreu em 1804, quando Schopenhauer tinha 16 anos, e revolucionou a filosofia com a conclusão de que é impossível sentirmos a realidade em qualquer sentido verdadeiro porque todas as nossas percepções, nossas informações sensoriais, são filtradas e processadas pelo nosso mecanismo neuroanatômico. Todas as informações são conceituadas por elaborações arbitrárias como espaço e tempo...?
(...)
?A descoberta de Kant foi que, em vez de percebermos o mundo como ele é, temos nossa versão pessoal do que é. Propriedades como espaço, tempo, quantidade, causalidade estão em nós e não no mundo, nós as impomos à realidade. Mas, então, qual é a realidade pura? O que está no mundo, aquela entidade pura, antes de nós a processarmos? Kant disse que jamais saberemos?.
(...)
?Em sua obra, Kant e outros filósofos deram atenção às formas em que processamos a realidade. Mas Schopenhauer fez outro caminho. Ele viu que Kant tinha omitido uma informação fundamental e imediata sobre nós mesmos: o corpo e os sentimentos. Insistia que podemos nos conhecer a partir de dentro. Temos um conhecimento direto e imediato, que não depende de nossas percepções. Assim, foi o primeiro filósofo a olhar impulsos e sentimentos a partir de dentro, e pelo resto da vida escreveu muito sobre as preocupações interiores: sexo, amor, morte, sonhos, sofrimento, religião, suicídio, relações com os outros, vaidade, auto-estima. Mais que qualquer outro filósofo, ele tratou daqueles impulsos sombrios que ficam lá no fundo, que não suportamos encarar e por isso precisamos reprimir?.
(...)
?Schopenhauer... resolveu minha sexualidade. Fez com que eu visse que o sexo está em tudo e que, em nível mais profundo, é o centro de tudo o que fazemos, permeando todas as relações humanas, influenciando até questões de estado.?
(...)
?Pelo contrário, é mais certo dizer que Freud é Schopenhauer, tal a quantidade de psicanálise freudiana existente em Schopenhauer?.

Vale ressaltar também, como comentei antes, da influência de Buda na vida e obra de Schopenhauer, em que o sofrimento é causado por apegos (coisas, pessoas, idéias, própria vida) e que há um remédio para o sofrimento que é a cessação do desejo, do apego, do eu.




EM RELAÇÃO AO EXERCÍCIO DA CLÍNICA FILOSÓFICA:

?Os terapeutas são como pais. Um bom pai ou uma boa mãe dá condições para que o filho ou filha tenha capacidade de sair de casa e ser adulto, como o bom terapeuta quer que seus pacientes saiam no final do tratamento.?

?...precisemos de um tipo de terapia e de filosofia para cada tipo de pessoa?.

Uma observação inicial quanto a eficácia, NÃO NO MÉTODO, mas na melhora subjetiva das pessoas, a dúvida que muitas vezes enfrentamos no início dos atendimentos:
?... muitas vezes duvidava da eficácia do tratamento que oferecia. E com a mesma freqüência se acalmava (...) Claro que ele oferecia algo de valor para a maioria dos pacientes, talvez todos. Mas a dúvida continuava: Será que voce foi realmente, verdadeiramente, útil para seus pacientes? Talvez só tenha ajudado os que iam melhorar de qualquer jeito.? (...) ?Bom, não tire conclusões. Por que... faria um tratamento por três anos, se não recebesse nada em troca? Por que continuaria a gastar todo aquele dinheiro por nada?

Aparece o nome ?FILOSOFIA CLÍNICA?:
?Passei a dar aulas e, há dois anos, me interessei em aplicar a filosofia ou, como prefiro chamar, me interessei pela filosofia clínica. E cá estou.?

A necessidade da história de vida da pessoa na eficácia do tratamento que chamamos de ?HISTORICIDADE?:
?É difícil lembrar muita coisa do que fizemos, acho que tentamos compreender minha compulsão a partir da minha história de vida?.

Uma coisa muito importante em qualquer tipo de terapia cujo nome damos ?INTERSEÇÃO?:
?Não são as idéias, nem a visão, nem as ferramentas que realmente interessam (...) Se, no final de um tratamento, voce perguntar ao paciente qual foi o processo da análise, do que ele se lembra? Nunca das idéias e sempre do relacionamento com o terapeuta. Eles raramente se lembram de uma conclusão importante do terapeuta, mas se lembram com carinho da relação?.

?Quero dizer que a falta de reciprocidade na relação terapêutica é um problema, uma questão difícil.?

O tópico 01 da EP ?COMO O MUNDO PARECE? e também nos lembra dois comentários feitos em aula:
a) há que se dar a volta toda...
b) de muitos tópicos fica o que for mais ?robusto?
?Como filósofo maduro, Schopenhauer se orgulhava da capacidade de ter uma visão objetiva (...) de ver o mundo pela outra ponta do telescópio. O prazer de ver o mundo do alto já faz parte de teus primeiros comentários (...) acho que a vista do cume de uma montanha ajuda muito a ampliar os conceitos. (...) tudo o que é pequeno some, só fica o que é grande?
?A filosofia é uma estrada isolada numa grande montanha (...) e quanto mais subimos, mais isolados ficamos. Quem percorrer não deve temer, mas deixar tudo para trás e abrir caminho, confiante, (...) ele logo vê o mundo lá embaixo, suas praias e pântanos somem de vista, seus pontos desiguais se aplainam, seus sons estridentes não alcançam mais os ouvidos. E sua redondeza surge para o caminhante, que recebe sempre o ar frio e puro da montanha e desfruta do sol quando tudo lá embaixo está mergulhado na escuridão da noite?.
Quando emitimos uma opinião, provavelmente estamos falando de nós mesmos, tópico 02 da EP ?O QUE ACHA DE SI MESMO?
?Repare se seus julgamentos objetivos não são, no fundo, subjetivos?.

O que fazemos e que pode repercutir de uma outra forma, damos o nome de ?SIGNIFICADO?:
?Mas foi feito de uma forma tão indireta, Philip, que me senti usado e não acolhido?.

A maneira como o médico, Dr. Julius se comportou pode ser um ?SUBMODO? que achou para continuar seus últimos dias de maneira proveitosa, talvez uma ?BUSCA?
?Estava morrendo, mas trabalhava como sempre. Como ele consegue? Como se mantém ligado? Como continua cuidando das pessoas??

As mudanças significativas que chamamos de ?AUTOGENIA?
?Vi muitos pacientes terminais fazerem mudanças, ficarem mais sensatos, mais maduros e terem muito que ensinar aos outros.?

O que chamamos de ?INFORMAÇÃO DIRIGIDA?
?Pam me indicou esse romance quando já estava em terapia individual há alguns meses. Então, Rebecca, se meu comentário ajudou voce, tem que agradecer a ela?.

E numa última observação quanto às terapias, de não acontecer o efeito ?instantâneo?, mas levar algum tempo para seu efeito, que na Filosofia Clínica chamamos de ?FILTRO?:
?São as intervenções de efeito retardado! Sempre achei que são mais importantes do que se pensa.?
?Talvez as sessões tivessem mudado... Talvez ele fosse uma pessoa que amadurece tarde, um daqueles pacientes que precisam de tempo para digerir o alimento dado pelo analista, daqueles que guardam a boa comida do terapeuta e levam para casa, como um cachorro que guarda o osso para roer depois, sozinho?.

?NÓ CEGO?
?Penso se alguém já me deu esse toque antes, no passado. E nas pessoas com quem posso conferir. Penso se a pessoa está atingindo um dos meus pontos cegos, algo que ela vê e eu não.?

Uma maneira diferente para falarmos, por meio de metáforas, é o que chamamos de: VICE-CONCEITO
?Voce fala de continuar usando uma solução apesar de o problema ter acabado- disse Tony ? Como colocar um curativo num machucado que já sarou?.

Essa última observação é uma ?provocação? aos tópicos ?SENSORIAL? e ?PAIXÃO DOMINANTE? do nosso mestre, HS
?Foi direto para as estantes, enfiou o nariz perto dos livros encadernados de couro e respirou outra vez, demonstrando grande prazer. Continuou lá e percorreu, atento, os títulos?.



?Lembro de um dos meus supervisores citar um trecho de Epicuro onde diz que a amizade é o ingrediente mais importante para uma vida feliz, e que fazer uma refeição sem a presença de um amigo era viver como um leão ou um lobo. E a definição de Aristóteles para amigo (aquele que incentiva e destaca o que o outro tem de melhor) é parecida com a idéia que faço do terapeuta ideal.?
Dr. Julius


CONCLUSÃO

?No fim da vida, a maioria dos homens percebe, surpresa, que viveu provisoriamente e que as coisas que largou como sem graça ou sem interesse eram, justamente, a vida. E assim, traído pela esperança, o homem dança nos braços da morte.?

Diríamos que o autor passa-nos palavras retiradas dos pensamentos de Nietzsche e Schopenhauer, e que também fazemos nossas as palavras deles no entendimento final desse trabalho, cujas mensagens são:

A primeira seria sobre a vida em relação à morte:
Se tivéssemos pouco tempo de vida deveríamos viver o tempo que nos resta, continuando a fazer exatamente o que sempre nos deu prazer e teve sentido para nós.
Devemos viver de forma que possamos aceitar, a querer a mesma vida sempre, que possamos aceitar se nos oferecerem viver outra vez e mais outra, eternamente, exatamente do mesmo jeito. Spinoza gostava de uma expressão latina que dizia que os fatos perturbadores do cotidiano ficam menos complicados se forem vistos sob a perspectiva da eternidade.
Ensina-nos como reverenciar e celebrar a vida, é preciso escolher a vida, usufruir em vez de ser usufruído por ela, em outras palavras, tem que amar seu destino.
?Viva o melhor possível e, só então, morra!?

A segunda, o autor parece querer dar vida social para Arthur Schopenhauer baseando-se em seu ser pessoal e social, atribui aos personagens do grupo de terapia, as complicações nos relacionamentos, os desajustes em toda sua gama e nuances. Para cuidar desse banquete existencial, vem a terapia, equacionadora, tentando de alguma forma incentivar e destacar o que o outro possui de melhor, dar um conforto no modo de ser do indivíduo.
Daí a capacidade que um filósofo tem de nos ajudar... Taí a Filosofia Clínica de Lúcio Packter para confirmar isso !!!



?De repente, o homem, surpreso, se vê existindo após centenas e centenas de anos de não-existência. Ele passa um período vivendo, depois vem outro período igualmente longo em que vai deixar de existir?
Terceiro parágrafo do ensaio
Observações Adicionais à Doutrina do Vazio da Existência.



?Consigo suportar a idéia de que poucas horas depois que eu morrer, os vermes comerão meu corpo, mas estremeço ao imaginar professores criticando minha filosofia?



 
       

 
 
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